segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Drogas: Prevenindo e quebrando tabus

Dia 09/01/2014, Escola Antonieta Siqueira, 13h, Fortaleza - CE:



Esse foi o tema da aula de exposição que permitiu o debate horizontalizado, positivo e informativo que pude oferecer aos alunos da Escola Estadual Antonieta Siqueira, bairro Pici, Fortaleza - CE. Havia um espaço apropriado para a discussão, apesar da acústica ruim, porém tive acesso ao projetor para apresentação de slides, visando uma melhor dinâmica e pedagogia, além do espaço local ter dimensões que equivalem a um mini-auditório com capacidade para 60 ocupantes. Foram duas turmas presentes: uma turma do 1º ano e outra do 2º ano, ambas do Ensino Médio. O método de seleção das turmas foi desnecessário, já que no turno da tarde (horário em que foi realizado o trabalho) havia justamente uma turma de cada série, não havendo possibilidade para viés de seleção. Foi decidido ser mais coerente evitar a turma pré-vestibular (3º ano do Ensino Médio), pois já era uma idade mais avançada (boa parte maior de idade), fugindo da população-alvo da pesquisa (maioria entre 14-17 anos), além de muitos não estarem presentes no ambiente escolar devido estágios em outros locais e demais compromissos, exemplificando: vestibular, escolas técnicas, Enem e outros processos seletivos. Importante salientar que foi estabelecido contato prévio com a direção da escola, e desde então a própria escola incentivou o trabalho, jé que a essência da pesquisa é a educação. A primeira impressão que pude ter dos alunos ao entrar em sala foi positiva, pois os participantes (alunos) se surpreenderam com entusiasmo ao ler o tema do slide de capa contendo justamente o título dessa postagem e estampado na gravura acima. Estavam presentes exatos 44 alunos (englobando primeiro e segundo ano conforme já mencionado), já que é frequente e esperado uma taxa de evasão por diversos motivos que não interessam no momento. Todos sentaram, identifiquei-me apenas como David Pinheiro, e enfatizei a importância que, apesar de ser médico como profissão, tornava-se necessário deletar o "doutor", já que aquele momento não era uma consulta e sim uma troca de experiências, mais especificamente de minha parte com informações técnicas que seriam repassadas e da parte deles com depoimentos, experiências e dúvidas que enriqueceriam comprovadamente a discussão. Todos compreenderam aparentemente o recado e enfatizei a importância de que a intervenção é importante, pois aquele era um momento de aprendizado mútuo e não uma aula convencional ou uma palestra unidirecional. Coloquei como fundamental a participação e interesse para aquele tempo dedicado trouxesse de fato a recompensa de assimilar dados sobre um tema polêmico e necessário desde os primórdios da existência humana. Acredito que esse diálogo inicial contribuiu para uma conversa sem pedestal, sem hierarquia e consequentemente mais próxima daqueles jovens.

Antes da apresentação, foram distribuídas duas cópias referentes ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e como a imensa maioria dos alunos eram menor de idade (apenas cinco alunos tinham idade superior a 18 anos), então expliquei que precisavam levar ao seu domicílio para o pai ou responsável ler e, se concordar, assinar  o termo para enfim retorná-lo à escola e ser entregue à respectiva direção que já onde já havia sido previamente comunicada para facilitar o processo caso a pesquisa necessite ser submetida ao Comitê de Ética, sendo obrigatória a existência dos formulários devidamente assinados.

A próxima etapa da pesquisa, sempre havendo a preocupação de explicar aos participantes para melhor adesão e compreensão do estudo, foi a distribuição do pré-teste (ANEXO 1): questionário com questões diretas e objetivas, a maioria com respostas de múltipla escolha (marcar "X" na opção ou nas opções que o aluno voluntário julgasse correta ou corretas) a fim de quantificar estatisticamente o conhecimento prévio adquirido sobre o tema drogas, além do questionário abranger alguns aspectos sociais e familiares impostantes de cada aluno sobre o tema drogas. Foi necessário aproximadamente 20 minutos para que todos pudessem entregar de volta os questionários respondidos, porém não identificados conforme orientados (o cabeçalho continha apenas os campos para gênero e idade para manter o anonimato necessário). Após a apresentação, que será detalhada posteriormente, os questionários referentes ao pós-teste (ANEXO 2) contendo questões semelhantes em relação ao pré-teste justamente para avaliar o aprendizado estatístico após a exposição e debate, além de outros questionamentos também contidos no pós-teste, avaliando a opinião do aluno sobre a explanação do conteúdo propriamente dito.

Iniciada finalmente a apresentação em slides (ANEXO 3), padronizamos como definição mais ampla de droga qualquer substância (lícita ou ilícita) que pudesse alterar o comportamento normal do indivíduo. A apresentação foi marcada pelos seguintes tópicos explanados e debatidos:

- Introdução: A ideia central desse tópico foi provocar ainda mais a curiosidade dos alunos participantes com perguntas com a promessa de serem respondidas durante a aula.
- Definição de droga: importante citar as mais diversas definições, explanando e ouvindo opiniões, muitas vezes colocadas como exemplos (mais citadas: álcool, maconha, crack, dentre outras também citadas). Também foi abordado sobre classificação das drogas.
- Atualidades sobre drogas: foi discutido nessa pauta quais são as drogas mais consumidas, diferença entre drogas lícitas e ilícitas. Também foi incluído na discussão as diferenças entre os usos medicinal, recreativo e religioso, além de esclarecer sobre as definições não sinônimas usuário e dependente quimíco.
- Principais fatores relacionados à saúde: foi abordado peculiaridades de acordo com o tipo de droga (destaque para álcool, cocaína, inalante, LSD, maconha e tabaco). Também debatido sobre qual tratamento adequado oferecer ao dependente químico, e se a internação compulsória pode ser considerado um tipo de tratamento ou utilizado como "faxina social" dependendo da situação.
- Alternativas Disponíveis: Proibição, Legalização e Descriminalização. Citado alguns exemplos de países que legalizaram ou descriminalizaram a maconha, buscando relacionar com a realidade brasileira que proíbe a maconha para uso recreativo, porém existem relatos da maioria dos participantes que para conseguir a maconha não existe dificuldade devido o tráfico presente no bairro. Citado e comentado casos atuais como Uruguai e USA (Colorado e Washington) que estão justamente liberando a maconha para uso recreativo para enfim combater o narcotráfico, já que a "Guerra às Drogas" é vista como um desastre. Outros países como Holanda e Portugal também foram temas da aula, incluindo os índices positivos com relação à redução da violência após a legalização.

Finalmente citei como principal fonte bibliográfica para confecção dos slides o livro Almanaque das Drogas (Paul Tarso), capa abaixo, já que o material é deveras didático, de fácil compreensão e estimula o saber, informando e prevenindo sobre os males dos narcóticos. Outros materiais lidos encontram-se nas referências bibliográficas.

Finalizada a aula-debate, foi sugerido o documentário encontrado grátis no site YouTube intitulado "Quebrando o tabu" (Clique aqui para acessar o documentário), com participação de notórios representantes políticos, artistas e profissionais de saúde especialistas no tema drogas, promovendo uma reflexão que nos torna menos vulneráveis ao mundo das drogas, sejam lícitas ou ilícitas, e essa é a verdadeira intenção desse projeto: a prevenção, fazendo com que o próprio jovem possa tomar a decisão se vale ou não a pena recorrer a alguma droga psicoativa.

Ao sair da sala, cada participante recebeu um encarte contendo um informativo sobre as principais drogas lícitas e ilícitas como um material complementar para ler e fundamentar algumas informações que forma ou não abordadas durante o debate.

Acredito que a aceitação foi boa, já que 44 alunos consideraram o momento do debate satisfatório, apenas um optou a apresentação como indiferente (de acordo com os dados colhidos no pós-teste), demonstrando que existe o interesse do jovem com relação ao tema, resta às autoridades políticas vinculadas com saúde perceberem isso e investir mais em educação sobre drogas, já que assustar o jovem com as consequências das drogas não parece ter surtido o efeito esperado.



          

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O que seria um dia (quase) intragável!

Hoje... Que dia é hoje? Enfim, sei que é quarta-feira, então vou reformular a pergunta: que dia seria hoje? Essa é sem dúvida a melhor pergunta. Mas e quem sabe essa resposta. Hoje seria um dia de praia, ou de trabalho, ou um dia qualquer, quem sabe um dia no ócio... Quaisquer dessas opções seriam válidas. Um dia que não desejo a ninguém é o dia ruim, cinza, esquecível, terrivelmente lento que se alastra como um câncer tornando as horas torturantes momentos que parecem infindáveis. Quem sabe esse dia passe...

E por que esse sentimento de definitiva impregnação do tédio? Esse questionamento eu respondo: porque nada sou nesse momento, ou pelo menos nada sinto ser. Ouvir Beatles: uma boa saída. O ideal era concomitantemente abrir uma cerva de trigo gelada para constatar o tratamento de choque antidepressivo... Mas o trabalho à noite me impede dos exageros psicoativos. Enfim, bom mesmo é curtir uma boa música e quer saber: isso é realidade, fugir dela é fugir de si, então melhor continuar nessa vida real sem mudar de canal.

Amanhã serei motorista do Papai que realizará teste ergométrico e ressonância magnética em ombros direito e esquerdo, enfim, ainda me encontro nas minhas pseudo-férias. E na verdade gosto disso, enfim é uma oportunidade de colocarmos (eu e meu pai) os papos em dia. 

PS.: Amanhã será minha primeira exérese ungueal, ou seja, extração de unha (do pé), ainda consequência das trilhas "leves" que fiz na Chapada Diamantina e agora, graças a minha inexperiência com botas e meias, estou arcando com as consequências. Ano Novo, Unhas Novas! Eu já tirei unhas dos outros, bem mais fácil... Destaque para o cirurgião de manhã que é meu nobre amigo de turma! (isso até me tranquiliza, confio nele).

PS²: O leitor pode observar que houve uma mudança do humor durante o texto. Acredite, foi o vídeo dos Beatles, injetou uma boa dose de endorfina no meu organismo!  



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Nada Especial, exceto para mim!

Apenas o que já fiz e o que pretendo fazer nessas 2 semanas com carga horária tranquila (pasmem, tranquila mesmo, são apenas 18 horas por semana! rsrs Mas não fiquem com muita inveja, pois essas são minhas "férias").

Então, ontem à tarde chegando da caótica prova de residência (SURCE 2013), fui forçado a ficar em casa, pois ainda estava me recuperando de uma conjuntivite viral (provavelmente repassado em algum desses plantões), enfim ficar de molho teve seu valor, dormi, assisti filmes bestas, programas de TV bestas e obviamente naveguei na internet (Lê-se: Facebook, Youtube, E-mail, Kibeloco, G1, Facebook, Youtube, E-mail, G1,...).

Hoje acordei e rendi pela manhã: fui pegar um transbike (um equipamento que instalado na traseira do carro faz com que você consiga transportar sem dificuldades uma ou até duas bicicletas sem dificuldade num carro pequeno) na casa do amigo do meu irmão, fomos na UNIFOR, e ainda destroquei a bike retrô que estava emprestado por 2 semanas, mas prefiro a minha mesmo, bike é igual a mãe, cada um tem a sua. Enfim, o que a bike retrô tinha de estilosa e bonita, também tinha de complicada e cheia de frescura! Trazer minha bike de volta para casa me trouxe uma sensação de plenitude!

Á tarde dormi. Hoje à noite vou me encontrar com amigos de colégio, mas que persistiram a amizade, mesmo com os rumos e profissões diferentes (médico, biólogo, geógrafo, arquiteto, psícólogo, etc). O psicólogo vou ter que visitar depois (se der tempo), pois recentemente alguns amigos dele estão com a paciência esgotada com ele por motivos que não cabem aqui. Mas enfim, estou na semana de quase folga e quero rever todos meus amigos, principalmente os que estou afim de ver (na verdade exclusivamente os que estou afim de ver).

Dispeço-me com a seguinte conclusão: esse blog foi retomado, hoje apenas tirei a poeira nele. Amanhã digitarei com mais propósito! Apenas um plano hoje, cerva gelada, tirando gosto com conversas ao vento e o que mais aparecer...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Dia 13... Também conhecido como o melhor dia do mês!



O Dia 13 às vezes cai na segunda, na terça, enfim, até dia domingo pode ser um dia 13, além da temível sexta-feira 13, sempre assombrando crianças e até marmanjos com as lendas mais absurdas, porém que mexem com o imaginário do povo. Enfim, o número 13 foi consagrado como o número do azar ou má sorte, como queiram, mas venho aqui defendê-lo, em alto e bom som, pois na verdade esse número, há 8 meses, está sendo o melhor dia do mês. E por que há exatamente 8 meses? Explico...

Dia 13 de janeiro de 2012: era o 13º dia do ano, enfim, estava no primeiro dia 13 do ano que foi consagrado recentemente como o ano do fim do mundo. Que data intempestiva, mas engana-se o leitor, pois nessa data estava eu ansioso, aguardando rever alguém que conheci no ano passado, mais precisamente dia 25 de dezembro de 2011, ou seja, havia apenas 18 dias que a conhecia, porém já sabia o que fazer: comprar flores, ir a um bom restaurante, tomar um bom vinho e pedi-la em namoro com o buquê em meus braços, aguardando o "sim", obviamente... Mas para isso precisava resolver alguns pontos conflitantes. Então vamos por partes:

1) Não conhecia restaurantes, enfim, até o momento preferia os bares, e me bastava até então. Bom, nesse caso não tinha o que fazer, fui buscar ajuda com amigos e até mesmo com minha convidada especial (a futura dona das flores) que estava na Europa em passeio com sua mãe (futura sogra, mas na época ninguém sabia disso), e graças a uma tecnologia chamada Internet, conseguimos nos falar pelo Skype praticamente todos os dias de sua viagem, o que foi fundamental para "quebrar o gelo" do reencontro pós-viagem. Então não titubeei, perguntei sobre um restaurante, dando a impressão que entendia alguma coisa, mas sinceramente mal conseguia pronunciar o nome: "Conhece o Café Pagliuca? Parece que lá é legal!" (segundo um amigo conhecedor de restaurantes). Ela respondeu: "Sim, lá é ótimo!". Então batemos o martelo! Bingo!

2) Onde comprar flores? Decididamente não era minha praia, mas sabia que era fundamental e sinceramente estava existindo o clima para isso, como se o mundo conspirasse a favor mesmo, sei que pode parecer estranho, mas peço ao leitor que simplesmente aceite a condição que eu estava apaixonado, e quem está assim simplesmente acredita que o mundo está se lixando pro resto do mundo, os holofotes estão virados para você, enfim era a minha chance. E quando achei que ia ter trabalho pra achar uma floricultura, surge uma no caminho de casa. Desci, encomendei o ramalhete de rosas vermelhas (resolvi não fugir da tradição, enfim já estava arriscando muito pedir alguém em namoro no dia 13!)

3) Flores compradas, restaurante escolhido e de comum acordo, só faltava agora o vinho. Mas para isso, fui bem claro no encontro, já no Café Pagliuca: "Vamos escolher qualquer um!" Enfim, até a opinião do garçom apelamos, fazendo aquela perguntinha bem objetiva: "Qual vinho daqui os clientes mais pedem?", Nossa pedida agradou muito, inclusive pedimos outra garrafa, pois além do sabor do vinho semi-seco, a conversa, o olhar, a companhia, a música ao vivo tudo estava indo conforme o combinado e naturalmente agradável. Estávamos leves, mesmo com a carga de importância desse encontro, era como se soubéssemos o que estava por vir! 

Já no restaurante, ela estava linda, espontânea como sempre, os papos se complementavam, os links eram constantes, enfim hora de ir embora. O tempo passou rápido, bateu o frio na barriga, as flores no porta-malas aguardando o momento clímax da noite quase perfeita (já explico o motivo do "quase"). 

Quando chegamos em sua casa, ainda no carro, noite tranquila, agradeço o jantar, ela é surpreendida quando peço para esperar, olhos assustados e as rosas surgem diante dela, inclusive acredito que elas estavam ainda mais lindas. Peço em namoro em seguida (segui o conselho chicobuarquiano "Aja duas vezes antes de pensar"), e o "quase perfeito" veio à tona quando ela disse: "Preciso pensar!"

Na verdade essa história é engraçada, por mais frustrante que possa parecer para quem ler, pois como sempre digo para ela, os olhos disseram "sim", então incrivelmente fui para casa tranquilo com a certeza que nossos olhos reproduzem a vontade do nosso coração. Seria o porta-voz cordial! 

Assim passam-se 8 meses, amanhã é dia 13 e sinceramente: graças a Deus!   

MORAL DA HISTÓRIA: É possível sair com uma garota no dia 13 do mês sem entender de vinho, nem de restaurante e nem de flores, porém em uma noite resolver todas essas questões. Para isso basta entender o idioma do coração, logo tudo se encaixa. "Que a noite traga alívio imediato!"

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dignidade

Porque acordar almejando amar e mudar? Eis a questão de hoje. E eis a questão que deveríamos ter como meta diária, pois quando mudamos e amamos simultaneamente, é esperado que essa mudança seja benéfica, ou seja, o mandamento divino de amar ao próximo necessariamente será respeitado de forma plena, sempre mirando o melhor para o coletivo e, consequentemente, para si. Parece-me ser o caminho mais próximo do que muitos chamam de missão. E na verdade nem preciso e nem quero falar de religião, pois acredito que o céu e o inferno estão dentro de cada um de nós. Seguir o menor caminho entre dois pontos nem sempre é o mais prazeroso, pois definitivamente na maioria das oportunidades que surgem diante de nós, os fins NÃO justificam os meios.

Essa introdução é para enfocar um livro que será lançado em Belo Horizonte (mais detalhes no site) intitulado "Dignidade", que são histórias contadas por 9 escritores que acompanharam o dia-a-dia da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), narrativas recheados se humanidade, arte e ensinamentos.

Certamente irei adquirir esse livro, pois para mim é um presente poder assimilar por meio da literatura experiências vividas com ficção ou não, pois enfim esse mundo precário de pessoas em pleno estado de miséria que precisam de pessoas como nós, onde comemos no mínimo 3 vezes por dia e sobra dinheiro inclusive para o que chamamos de consumismo, isto é, comemos bem e ainda compramos aquilo que não se come. Enquanto em boa parte do planeta a luta é pela sobrevivência a fim de garantir o mínimo de alimento necessário para continuar com sinais vitais. E nesse momento provo o que estou falando, já que vou justamente COMPRAR o livro "Dignidade", já que sobrou dinheiro e não estou com fome. Mas assim caminhamos, "...avançando dois, recuando um, mas seguindo sempre" (Quinteto Agreste)

Moral da História: se você tem a sorte de comer adequadamente e ainda sobrar capital, então sugiro a leitura do seguinte livro (já é possível comprá-lo na Livraria Cultura):

DIGNIDADE: http://ow.ly/bxpkq

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Senta que lá vem o médico!" (2)

Parecia um dia como qualquer outro...

Plantão noturno no Hospital Antônio Prudente: relativamente tranquilo...

Dia seguinte, sair do plantão e pegar a BR-116: nem tão tranquilo assim... Sono é inversamente proporcional ao bom humor.

Novo destino: Hospital Penal, onde já trabalho desde Dezembro de 2011, local aparentemente tranquilo, e é nesse ambiente que hoje discorro sobre nossa nova história.

Impressionante como o homem almeja o poder. E o homem necessita poder pisar usando o poder! Enfim, após esse trocadilho pouco feliz, esse é o cotidiano no hospital penal onde trabalho como médico clínico plantonista e lá atendo presos doentes internados. Exatamente isso, sou médico de presos ou internos, conforme o leitor preferir. Claro que surgem consultas de funcionários, até exageram o fato de ter médico disponível, porém meu papel único e principal é atender os pacientes presidiários.

E no hospital penal funciona da seguinte forma: o preso chega com sintomas, geralmente encaminhado de sua  penitenciária de origem ou delegacia, o mesmo (agora paciente) é admitido com os mais variados problemas: desde um grau de subnutrição (encontrado na maioria dos casos até tuberculose ou até mesmo câncer, além de traumas em geral).

Bom, na verdade a minha ideia nesse contexto é introduzir as diversas histórias que já vivenciei nesse ambiente, dessa forma revivencio o momento de forma autorreflexiva! Nossa história de hoje receberá o título de "O que é uma bala na cabeça quando se leva uma surra?"

Paciente chegou no fim do meu plantão no hospital penal quando percebi sua hemiface esquerda inchada (edemaciada) sugestivo de trauma e achava inclusive que esse trauma era o motivo do atendimento médico-hospitalar, mas não era, pois na verdade esse paciente foi vítima há 6 meses de perfuração por projétil de arma de fogo, e a cabeça foi o local atingido. Paciente sobreviveu e na verdade sua queixa era uma dor de cabeça forte, porém numa situação de descontrole, o preso xingou um dos agentes em sua penitenciária, então prontamente a resposta ao xingamento foi uma surra...

Enfim, o que estava em jogo na consulta era a surra e não mais a perfuração por bala de 6 meses atrás. Baixei a cabeça, indignado por tamanha perversidade com alguém que, cometeu seu crime, está pagando, porém  a impressão que passa é que só isso não basta, é preciso ser humilhado, ser espancado, sofrer o dia a dia de cada vez, como um inferno ainda em vida.

O que me importa é ter a possibilidade real de levar a saúde às pessoas, porém nesse trabalho onde é travado o eterno conflito Agentes Penitenciários versus Presidiários o profissional de saúde muitas vezes rema contra a maré, e nada mais estou fazendo que justificar minha formação de cuidar de seres humanos, assim gritei em alto e bom no tal juramento de Hipocrates.

Esse crime praticado contra alguém já detido e indefeso chama-se tortura e seria um exemplo clássico de covardia, beirando o patológico!

Enfim, o preso foi admitido, realmente precisava ser internado após tamanho exemplo de autoridade por parte da polícia ao traumatizar o rosto do rapaz.

E o guarda que o espancou? Provavelmente já não foi a primeira nem a última vez que bateu em alguém, então na verdade ele está mais como vítima, por ter aflorado sua agressividade como reflexo de um sistema carcerário falido, efeito feedback positivo: quanto mais o preso provoca, mais a polícia bate. E isso, lamentavemente, não é novidade para ninguém, na verdade trata-se de apenas uma constatação.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Série: "Senta que lá vem o médico!" (1)


Estava eu mais uma vez entrando no consultório, situado em um bairro carente de recursos e infraestrutura. Em resumo: uma comunidade pobre, mas deixando claro que trata-se de um termo relacionado à bens materiais. Então entrou a paciente, a qual já a conhecia, pedindo para prescrever vacina de eucalipto, pois estava gripada e precisava ficar boa, e só conhecia a vacina de eucalipto que resolvia sua gripe. 

No momento pensei e disse a ela olhando nos olhos: "Nunca ouvi falar em vacina de eucalipto!", disse orgulhoso por não conhecer tal "injeção"!

Ela retrucou dizendo que existia nas farmácias, mas só aplicavam com receita médica. 

Fiquei curioso, pois a paciente disse inclusive que já tinha feito uso da vacina anteriormente.
Então peguei o celular com internet, entrei no "Dr Google" e digitei "vacina eucalipto", entrei no primeiro link que a página me sugeriu e encontrei o seguinte trecho, escrito por algum "dotô" Fulano de Tal: “Muitas farmácias prescrevem com freqüência injeções a base de óleo de eucalipto, o que pode provocar reações alérgicas e até mesmo matar”

Era o que precisava para ter agora a certeza, agora com argumentos virtuais, que a vacina de eucalipto era mais uma invenção bizarra das indústrias farmacêuticas e seu uso indiscriminado de fármacos.

Então disse para a mulher: "Dona Fulana, a gripe não tem medicação própria. Logo, seria muito melhor a senhora repousar, beber bastante líquido, e quando ficar boa da gripe, aconselho a ir no posto mais próximo e tomar a vacina contra a gripe que o governo oferece."

Ela me olhou com face de frustração e espanto, dizendo que a vacina do governo causa gripe e a intenção é matar os "velhos" (termo usado pela paciente) mais cedo! E pediu mais uma vez a vacina de eucalipto, agora com insistência.

Neguei, expliquei mais uma vez que com vacina ou sem vacina ela iria ficar melhor do mesmo jeito, portanto era de repouso que precisava. Obviamente já estava tom de voz mais ríspido e menos simpático. 

Vi pela posição estática que ela precisava ouvir de novo o que tinha acabado de falar, senão daria brecha para uma nova investida. Então repeti a informação, e já estava querendo terminar a consulta, pelo menos acho que ainda era uma consulta. Então ela saiu do consultório reclamando, dizendo que ia na farmácia de qualquer jeito arranjar a vacina. 

Eu, pensei depois da cena, poderia ter passado a vacina, porém alguma coisa poderia acontecer, desde uma reação alérgica ou até mesmo um problema de saúde risco maior de letalidade. Ou seja, estou tranquilo, e definitivamente o eucalipto é formalmente e cientificamente usado para inalação ou chá, principalmente quando o paciente apresente sintomas respiratórios como sinusite, rinite, gripe, etc. Mas a forma injetável não tem comprovação científica, conforme voltei a pesquisar com maios afinco posteriormente.

Enfim, de graça até vacina na testa, mas preferencialmente que não seja de eucalipto. 

Moral da história (1) : consulte o Dr Google e descubra o que uma vacina de eucalipto pode fazer, pois além do risco de causar prejuízos à saúde, ainda pode tirar a paciência do médico.

Moral da história (2) : e se um dia algum médico prescrever vacina de eucalipto para você, diga para ele: "Não preciso dessa vacina, foi o Dr Google que avisou!"  


Duas pessoas somam, subtraem ou se misturam? Na verdade iniciar um texto com uma pergunta entrega o autor como um amador com veia literária enferrujada o suficiente para não conseguir iniciar de forma melhor seu texto... (as reticências é uma ótima evasão, pois esses "três pontos" encerra o assunto por bem ou por mal)

Acredito que a vida seja repleta de quebra-cabeças onde utopicamente tudo se encaixa, porém na verdade muitas dessas peças se perdem ou simplesmente nunca aparecem, enfim, numa caixa de quebra-cabeças não tem peça reserva, ou seja, uma ou mais peças ausentes são lacunas que não serão preenchidas definitivamente. Mas seria como a força das consoantes, já que todos sabem que palavra significa a expressão por exemplo "comptdr", enfim só usei uma vogal e todas as consoantes que qualquer criança saberia adivinhar o enigma super fácil. Assim seria o quebra-cabeça incompleta, pois mesmo na ausência de peças, a paisagem não seria comprometida e todos saberiam olhar, identificar e apreciar a gravura. 

Porém, o que pode parecer desleixo perder peças do quebra-cabeça, na vida isso é natural e importante que ocorra, pois na verdade não podemos ser os detentores de todas as peças, então outras pessoas poderiam ficar com peças que seriam justamente as lacunas.  

O quebra-cabeça pode ser o passado, o presente ou o futuro, quem manda é a imaginação de cada ser.

Nesse texto atemporal, acronológico e abstrato, faço Ctrl C + Ctrl V da seguinte letra chamada "Quebra-Cabeça"!



Quebra-Cabeça
(Engenheiros do Hawaii)

Pode ser pra sempre
Pode não ser mais
Pode ter certeza e voltar atrás
Pode ser perfeito
Fruto da imaginação
Pode ter defeito de fabricação

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer

Pode estar no ponto
Ponto de interrogação
Pode ser encontro ou separação
Pode correr risco
Arriscado sempre é
Só não pode o medo te paralisar

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu tenho

Tudo que eu posso oferecer


 (Clipe da música acima) http://www.youtube.com/watch?v=sWI5G7iWkg4&feature=player_embedded

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Canindé 2011

ENTREVISTA: DAVID PINHEIRO

http://g1.globo.com/videos/ceara/v/caninde-reune-fieis-de-sao-francisco/1648803/#/CETV



ENTREVISTA: DANILO PINHEIRO




"Um santo que anteviu e propagou os valores ligados aos vínculos comunitários. Direitos Humanos, ecologia, distribuição de renda, reforma agrária, anticonsumismo, democracia, humildade, democratização do saber... Parece exagero, mas sempre independente de ortodoxias religiosas, São Francisco de Assis foi um rebelde/revolucionário à sua maneira, e estamos no 2º maior berço de admiração/veneração ao santo do mundo, ou seja, o Ceará! ;) Apesar das brincadeiras ao longo da pedalada, os quatro integrantes (David Pinheiro, Leandro Carvalho, Sylene Ruiz e Danilo Pinheiro), de uma forma ou de outra, identificam-se e exercitam cotidianamente muitos desses ensinamentos! Aliás, muitos de nós, revelando-se aí uma leitura atualíssima sobre o franciscanismo!" (Danilo Pinheiro)




terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saber quando parar: eis o que o diferencia de um ser anencéfalo!

Seria engraçado, porém não é... Brincar com sentimentos alheios é algo próximo de uma patologia ainda não catalogada, mas já é possível saber que trata-se de um desvio de personalidade. Ninguém com mente sã engana alguém por prazer, isso é algo bem próximo de deliciar-se por provocar o sofrimento de outra pessoa que certamente não merece tal humilhação. Se você encaixa-se nesse perfil, favor procure ajuda psicoterapeuta, antes que um prejuízo irreversível possa acontecer e mudar o rumo de sua vida enquanto ela durar... e se durar!

Para ser sincero, não fui vítima se uma pessoa com essa índole, apenas já sofri muito por ter acidentalmente alimentado expectativa falsa em outra pessoa, isso ocorreu por dois motivos: omissão exagerada e, consequentemente, ausência de transparência! Ou seja, melhor arriscar abrindo o peito e tomar uma decisão a curto prazo, porém sincera e leal! E por pura experiência já vivida, posso garantir que o diálogo com foco, respeito e amor ao próximo resolve a quase totalidade dos conflitos estabelecidos!

"Não viro vampiro, eu prefiro sangrar / Me obrigue a morrer, mas não me peça pra matar" (Engenheiros do Hawaii)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A vida é uma viagem, passagem só de ida...

Está de bem com a vida? Aproveite!
Está de mal com a vida? Relaxe!
Está puto com a vida? Tome uma boa bebida!
Está indiferente com a vida? Saia de casa!
Está sem entender a vida? Leia um bom livro!
Está com tédio da vida? Vá para a praia!
Está com medo da vida? Abrace alguém!
Está desiludido com a vida? Ligue para um amigo!
Está sonhando com a vida? Acorde e viva!
Está arrependido da vida? Chore!
Está infeliz com a vida? Assista um bom filme!
Está cantando nessa vida? Cante mais alto!
Está cansado da vida? Deite, durma e/ou medite!
Está correndo nessa vida? Pare e respire!
Está maltratando a vida? Pare de fumar!
Está satisfeito com a vida? Parabéns!

Está chorando? É a vida!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Discussão num bar

               Uma rua da periferia. Um garoto, onze anos, pedinte, sem rumo certo, apenas caminhava. Era dia, e a sensação térmica era de muito calor. O garoto, sujo e de aparência caquética, não aparentava se incomodar com o suor. Ele avistou um bar, onde havia dois homens sentados numa mesa e tomando uma cerveja aparentemente bem gelada. Ambos conversavam exaltadamente. Nesse bar, as mesas ficavam na calçada. O menino se dirigiu ao bar, parou diante dos dois homens e observou-os com seus olhos tristes e amarelos:
- Não adianta fazer doações para a África! Se adiantasse, a África não seria ainda hoje o continente mais pobre! Para que doação, se ninguém garante o acesso da população a essa ajuda?
- A questão é que as doações têm que oferecer oportunidade de renda aos africanos! Investir na agricultura familiar, por exemplo, seria um destino promissor para essas ajudas!
- E como fazer isso se o governo for corrupto? Os países africanos estão entre os países com maior índice de corrupção do mundo! Quem vai distribuir e fiscalizar esse dinheiro, se o próprio governo abandonou o seu povo? Já me disseram que esses governos, com uma parte das doações, distribuem cestas básicas de forma assistencialista e aproveitam a situação para comprar votos durante as eleições! O povo, manipulado, vota neles e ainda se acomoda esperando mais cestas básicas. A doação torna-se moeda eleitoral! 
- Não é necessário governo para isso! Concordo que seria o ideal, mas é possível não depender do governo. Uma prova disso são as ONGs! E doações não necessariamente precisam ser alimentos! Existem auxílios empreendedores que hoje mudam significativamente a vida dos africanos. A doação, nesses casos, torna-se uma esperança para a vida daquelas pessoas que nunca tiveram oportunidade!
O menino, assustado e confuso, atento às palavras dos homens entusiasmados com a discussão, finalmente ia pedir uma ajuda em dinheiro, quando foi repreendido pela continuação da conversa:
- Doação é esmola! Um rico dá dinheiro a um pobre para alimentar o próprio ego e aliviar a consciência! Esmola não enriquece ninguém e só ajuda o pobre a aceitar sua condição inferior perante a sociedade! Desse mesmo modo funciona entre os países! São justamente países ricos como EUA, Japão, Reino Unido, França e Alemanha os que mais ajudam financeiramente a África. O pobre que depende de esmola nunca deixará de ser pobre!
O garoto, ao ouvir aquilo, botou rapidamente a mão no bolso, retirou suas moedas e as colocou na mesa. Até esse momento, os homens, ludibriados com a conversa, não tinham notado a presença da criança. Eles se calaram surpreendidos, e um deles, após um instante de silêncio, perguntou-lhe:
- Por que esse dinheiro na nossa mesa, garoto?
O menino respondeu, com esperança:
               - Não quero mais ser pobre! Estão aqui todas as minhas esmolas! Se é isso que me deixa com fome todo dia, então não quero esse dinheiro!
               Os dois homens, ambos jovens universitários, baixaram suas cabeças e miraram o chão culpados e envergonhados. O menino, radiante com a notícia, correu provavelmente ao encontro da mãe para lhe contar que não eram mais pobres.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quando não basta...

Doar: não basta...
Implodir obstáculos: não basta...
Gostar sem limites: não basta...
Almejar a felicidade juntos: não basta...

Nunca deixar a paixão acabar: não basta...
Aceitar e ceder: não basta...
O jantar perfeito: não basta...

Alimentar sonhos: não basta...
Orar por ambos: não basta...

Amor: não basta...
Beijo demorado: não basta...
Abraço apertado: não basta...
No dia dos namorados entregar flores: não basta...
Decidir casar e ter filhos: não basta...
O e-mail apaixonado: não basta...
Necessitar de carinho: não basta...
Olhar com brilho e ternura: não basta...


O que fazer? Simplesmente veja e sinta a poesia em outra perspectiva.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sumário de Urina X Sadismo

Era mais um caso clínico. O preceptor (médico chefe), diante da paciente e dos acadêmicos de medicina, iniciou em alto e bom som a descrição minuciosa do sumário de urina ((informalmente chamado de exame de urina) do paciente em questão, utilizando termos técnicos para acrescentar aos pupilos com aprendizado, já que tratava-se de uma aula prática em um hospital qualquer de ensino. A paciente, uma jovem, ouvia atentamente, mesmo não compreendendo nada do que ouvia.


"Então, pelo sumário (de urina) temos: urina de densidade normal, pH normal, urina de coloração turva e na avaliação dos sedimentos urinários temos: proteinúria (proteínas na urina), hemoglobinúria (hemoglobina na urina), bacteriúria (bactérias na urina), leucocitúria (leucócitos na urina). E a jovem paciente refere como sintomas: disúria (dor ao urinar), hematúria (sangue na urina) e noctúria (urinar mais de 3 vezes durante a noite). Então estamos diante de um quadro clássico de cistite ou infecção urinária baixa".

Um dos alunos, mostrando interesse pelo caso, pergunta diretamente para a paciente quantas vezes ela tinha praticado relação sexual na última semana, já que aumento da frequência de relações aumenta o risco de infecção urinária. A paciente, tranquila e segura, respondeu que sinceramente não sabia, pois na última semana havia perdido a conta de quantas vezes havia transado. O aluno, prontamente, virou ao professor e disse: "Professor, no exame faltou descrever que a paciente também tem LUXÚRIA!"


quinta-feira, 23 de junho de 2011

FERIADO X TRABALHO

O tempo parece não passar... feriado... Nenhum paciente na emergência, ninguém sabe o verdadeiro significado de Corpus Christi, todo mundo só fala em beber, ir pra forró, encher a cara até cair... Muitos já estão de ressaca. Tudo isso fez eu assimilar um tédio típico daqueles domingos ociosos. E eu trabalhando, ou melhor, fingindo que estou trabalhando, pois não tem nada para fazer, simplesmente nenhum paciente! rs Ócio em casa é até bom, às vezes, mas ócio no trabalho é insuportável, algo próximo de uma tortura! Estou contando os milésimos de segundos para finalmente retornar ao lar! O último paciente ainda veio me pedir um atestado pra terça, dia 21, ou seja, atestado falso, e gastei saliva tentando explicar pro cara que não poderia dar o atestado, mas de nada adiantou, o "impaciente" foi embora resmungando. Impressionante como a lei incomoda nesse país!

Acesso meu e-mail pela milésima vez... Sinal de celular ruim... Lista de espera: zero pacientes. Em resumo: trabalhar em um feriado é muito CHATO!

"Trair antes de ser traído!": frase mais imbecil dos últimos tempos!

Terminei o filme que me inspirou escrever o texto nesse blog "Gostar, cuidar, zelar. E o zelo tem uma ponte estreitíssima com o ciúme.." (18 de junho de 2011), e o final é o pior possível para o casal principal do filme. Na verdade não precisava de um final feliz, mas o protagonista simplesmente ouve o "conselho"do amigo que afirma: "Trair antes de ser traído". Seria um extensão da idéia insalubre de não ficar por baixo! Resultado: o cara não opta em tentar esclarecer todas as dúvidas com uma boa e transparente conversa, simplesmente deixa o ciúme se tornar um tumor maligno agressivo e, desse modo, ele apela para todas as alternativas mesquinhas: vasculhar coisas da namorada, contratar detetive de esquina, porém sem nunca nada comprovar. Mas o ser humano impressionantemente imagina, cria e acredita no irreal, então ele tenta de todas as formas trair a namorada que ele passa a ter certeza que o trai. Resultado: a namorada o flagra aos amassos com a amiga dela que ele tentou embriagar com vinho em sua própria casa. E ao que tudo indica a moça (namorada) era inocente, pelo menos o filme assim transmite a idéia ao espectador, tornando o mocinho um verdadeiro vilão. O cara é a definição de idiotice, pois o impulso irracional o levou a querer dar o troco e assim ficar no mesmo patamar que a namorada suspeita de ser traidora. E na verdade ele ficou abaixo dela, ele realmente a traiu e da pior forma: para fortalecar um ego patológico.

Conclusão: converse, confie, tenha fé e paciência: justiça com as próprias mãos nunca foi a solução. Usar as "Três Peneiras" nunca é demais. É necessário certeza, bondade e utilidade para que a informação seja realmente válida, real e mereça ser repassada.

"Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti"

Nosso protagonista não usou nenhuma das Três Peneiras e, lamentavelmente, perdeu...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma vida na mão ou dois pássaros voando?

"Eu vou morrer?"

"Eu vou melhorar?!"

"Pelo amor de Deus, ajude-me!"

"Quanto tempo vou ficar assim?"

A vida definitivamente não permite ensaios. Se permitisse, não teria graça alguma. Ninguém erraria, ninguém tropeçaria, ninguém erraria a mega-sena, ninguém morreria. Todos seriam igualmente felizes e todos aproveitariam ao mesmo tempo todas as boas possibilidades possíveis! Ou seja: seria a mais completa definição de "perfeito caos".

As perguntas acima simbolizam isso, pois como profissional de saúde ouço várias vezes durante a rotina esses questionamentos que geralmente são acompanhados de angústia e medo. A incerteza da cura e da recuperação, colocando a saúde em jogo, e desse modo em risco nosso bem maior: a vida.

E quanto vale a vida? Pergunta mais difícil talvez não exista, pois todos sabem que a vida não tem preço. Mas e pra quem, impressionantemente, deseja o fim da vida como o suicida? A vida pra ele significa o ingresso para a morte e nada mais. Paciência...

E assim acontecem exemplos de vida por um fio todos os dias, em todos os momentos. Eu, particularmente, nunca tive a vida em risco por causa de doença. Mas infelizmente já estive em contato com pessoas que faleceram mesmo com todos os esforços. O mal irremediável é insano e muitas vezes cruel.

Essa certeza que vou morrer um dia é no mínimo curioso, pois posso estar escrevendo esse texto no dia da minha morte e simplesmente eu não sei disso. Então esse texto seria polêmico, já que seria absurdo pensar que trata-se apenas de uma mera coincidência. Mas se hoje não for o dia da minha morte, então esse texto passará apenas como mais um texto no meu blog.

Então termino esse texto pequeno, pois admito que minha inspiração "morreu" hoje, apenas afirmando que ter uma vida nas mãos realmente equivalem a dois pássaros voando, já que na área de saúde o profissional de saúde e o paciente são dois pássaros: esse quer voltar a voar e aquele quer continuar voando, mas nunca sozinho, enfim uma andorinha só não faz verão, mas quando essa andorinha ajuda várias outras andorinhas a voarem com ela, então o sol virá majestoso e irradiando felicidade. Quando alguma andorinha não puder mais ajudar a fazer verão, então o mal irremediável cumpriu a sua tarefa. Tudo bem, o sol continua, todos os dias da semana, 365 dias por ano. Quem não está mais entre nós para apreciar o sol da terra, então acredito que deve estar apreciando esse mesmo sol de um ângulo muito mais privilegiado. Amém!

"(...) Onde houver ódio que eu leve o amor / onde houver ofensa que eu leve o perdão /onde houver discórdia que eu leve a união / onde houver dúvida que eu leve a fé / onde houver erro que eu leve a verdade / onde houver desespero que eu leve a esperança / onde houver tristeza que eu leve a alegria / onde houver trevas que eu leve a luz (...)" (trecho oração de S. Francisco de Assis)

sábado, 18 de junho de 2011

Gostar, cuidar, zelar. E o zelo tem uma ponte estreitíssima com o ciúme...

Assisti um filme hoje, mas não terminei de assistir, porém já posso comentar a sinopse, já que a história não é original, porém bem cotidiana. Todo mundo conhece ao menos uma pessoa que lembra o protagonista desse filme. O leitor pode ficar tranquilo que não falarei o fim do filme, até porque eu também desconheço e nem vou intitular o filme, pois o motivo desse texto não é definitivamente divulgar esse filme, apenas servirá para embasar o contexto atual.

O filme mostra a vida de um jovem, 32 anos, que curte a vida como qualquer jovem, mas eu diria que ele curte além da medida, pois se envolve com várias mulheres, porém sem se apaixonar por nenhuma delas. Penas curtição e sexo, nada mais. Então esse cara começa a ter problemas com isso, pois as mulheres se iludiam, mas ao procurá-lo todos os sentimentos nutridos haviam ido embora por parte dele, até porque esses sentimentos nunca existiram. Ele era paulista, pilantra, cachorro, e pra fugir desse "inferno feminino" que ele mesmo plantou e cultivou, resolve viajar para o Rio de Janeiro quando se depara de forma inusitada com uma mulher também jovem que iria transformar sua vida para sempre. Eles se apaixonam, ela se muda para São Paulo, mas um monstro estava nascendo a partir daquela linda união: o ciúme! A carioca tinha milhões de amigos, era carismática, dançava com todos nas festas e, além de tudo, era ingênua. Ele descobriu-se ciumento ao ponto de mexer em celular, gavetas dela e até extrato bancário. O abominável ciúme tomou conta da relação. Sua vida estava virando um inferno, pois tudo era motivo para desconfiança.

Assisti o filme até esse momento, ou seja, no clímax, pois infelizmene havia chegado a hora de ir trabalhar em pleno sábado à noite (hora ingrata)! Mas faz parte, e pra ser sincero, o filme é angustiante, pois o ambiente é bem semelhante ao cenário tenso de Dom Casmurro com Bentinho, Capitu e Escobar, onde a genialidade de Machado de Assis não permite identificarmos se realmente Capitu trai ou não Bentinho com o Escobar.

Então hoje venho aqui no blog dizer que o ciúme é como um câncer: se diagnosticado precocemente, pode ser tratado e curado. Porém, se esse tumor maligno avança para fase terminal com metástase, então essa doença vira um estigma incurável até que a morte (ou o divórcio) os separe... Infelizmente.

Ciúmes? Melhor não tê-lo! Se tiver, respire fundo, separe o que é real e imaginário e troque a ofensa por perdão, sempre que possível.

"Mas eu me mordo de ciúmes!"

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ser bom é muito difícil... (Resposta a um e-mail)

"Se não quer chorar, seus olhos perderão o brilho, pois as lágrimas são necessárias. Se você chora de vez em quando, e as lágrimas começam a fluir, seus olhos ficam mais limpos, renovados, jovens, virgens.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém. A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade. E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.

É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra? Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo. Como você pode ser bom para outra pessoa?

Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo. Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo.

Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo. Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado.

Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo.

Assim você irá florescer. Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele. Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino." (Osho)