segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Hino do Elefante
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Que Rei sou eu?!
Um dia me disseram: "Davi, o Rei que matou o gigante Golias!"
Quando criança, quase pré-adolescente, assistia às aulas de orientação cristã e a história do Rei Davi sempre era uma das mais pedidas, inclusive por mim. Achava interessante a história do caquético sem armadura (Davi) que derrubava um gigante (Golias) com uma pedra na testa. Eu ficava pensando: "Poxa, isso é que eu chamo de pedrada!". E após a queda de Golias ao chão, Davi arranca-lhe a cabeça com sua espada. Épico, não?
Mas os anos se passaram, as aulas de história foram ficando mais interessantes, professores mais críticos e que questionavam tudo, inclusive a Bíblia. Então na verdade Davi foi colocado como um líder de um exército despreparado e sem armas (os israelitas), porém com fé, e Golias representava o exército megalomaníaco e poderoso dos Filisteus. O provável e esperado seria o fraco exército de Davi ser massacrado e virar somente cinzas, porém os Filisteus perderam a batalha, ou na visão metafórica bíblica, o gigante e temido Golias (que talvez nunca tenha existido) foi acertado com uma pedra na testa e caiu. A pedra simboliza a suposta vulnerabilidade do exército de Israel que deviam usar pedras durante a batalha devido a falta de armas. Interessante porque hoje os palestinos estão na mesma situação de Israel na época da invasão dos Filisteus. Hoje os israelenses são os poderosos e temidos Filisteus e o esperado e o provável está acontecendo: os palestinos e seus Davis árabes estão perdendo a batalha. Essa história não iria para a Bíblia, pois a corda romper do lado mais fraco não traz lição nem moral nenhuma.
Por que tudo isso? Talvez por que meu nome é David (com "d" no final mesmo), mas nunca liderei um exército nem mesmo os fracos soldados de Davi e nunca briguei com um gigante. Mas é inevitável tentar achar um paralelo, ainda utilizando o recurso de linguagem metáfora.
Na saúde pública nós temos: má gestão administrativa, profissionais mal remunerados ou desestimulados, pacientes que sobrevivem com uma estrutura muitas vezes sucateada e fora dos padrões de higiene que são recomendadas . Além disso temos a corrupção, a verba mal distribuída na saúde e profissionais mal treinados, mal qualificados e sem ética. Acho que juntando essas mazelas daria um exército de Filisteus com louvor.
Eu estou do outro lado, o mais fraco, remando contra a maré. Mas não estou só, amém! E a própria saúde pública tem seus avanços e saltos, senão meu discurso seria demagogo e hipócrita. Então manter o que está bom e tentar mudar o que não está bom é o ideal. Mas acertar uma pedra na testa de um gigante e faze-lo perder a consciência não é fácil, além do que eu sou péssimo de pontaria.
Um dos Salmos de Davi diz o seguinte (Livro IV, Salmo 101):
"Cantarei a bondade e a justiça;
a ti, Senhor, cantarei.
Atentarei sabiamente
ao caminho da perfeição.
Oh! Quando virás ter comigo?
Portas a dentro, em minha casa,
terei coração sincero.
Não porei coisa injusta
diante dos meus olhos;
aborreço o proceder dos que se desviam;
nada disto se me pegará.
Longe de mim o coração perverso;
não quero conhecer o mal.
Ao que às ocultas calunia o próximo,
a esse destruirei;
o que tem olhar altivo e coração soberbo,
não o suportarei.
Os meus olhos procurarão
os fiéis da terra,
para que habitem comigo;
o que anda em reto caminho,
esse me servirá.
Não há de ficar em minha casa
o que usa de fraude;
o que profere mentiras não permanecerá
ante os meus olhos.
Manhã após manhã, destruirei
todos os ímpios da terra,
para limpar a cidade do Senhor
dos que praticam a iniquidade."
Acima temos uma declaração dos padrões éticos regidos na época pelo Rei Davi. Hoje esse texto perdeu seu valor, pois a ética é vista como disciplina, e não é mais uma escolha. E para finalizar, fazendo menção ao Dom Quixote (o Rei Davi de Miguel de Cervantes), cito um refrão que sintetiza a ideologia quixotiana:
"Tudo bem, até pode ser que os Dragões sejam Moinhos de Vento. Tudo bem, seja o que for, mas que seja por amor às causas perdidas" (Engenheiros do Hawaii)
Fica a reflexão: Davi foi rei porque foi usado por Deus (e temeu a Ele) ou porque lutou pela boa ética?
Enfim, meu filho não se chamará Salomão, não sou caquético e meu alvo é péssimo, além do que acho que sempre há alguma saída melhor que acertar uma pedra na testa de alguém.
Mas Davi é o nome do homem mais citado na Bíblia, isso é relevante e deve ser divulgado, pois seus ensinamentos são magníficos. O meu nome ser o mesmo dele é mera coincidência e me serviu de pretexto para eu escrever esse texto. Amém.
sábado, 1 de agosto de 2009
13 ou 103?
Continuando a história, em um dos outros leitos estava internada uma situação infelizmente comum: garota jovem que, após estabilizada e não sofrer mais risco de vida, saiu da UTI e foi para a Enfermaria, justamente para um dos leitos que eu era responsável diariamente. Diagnóstico da garota: Intoxicação Exógena, ou seja, uso indisciplinado propositadamente de medicamentos e nesse caso com o intuito de suicidar-se... Idade: 13 anos. Logo lembrei-me do idoso: 13, 103, 13, 103, 13,... Tracei um paralelo imediato: a garota de 13 anos que, inconformada em não ter dinheiro para comprar sua roupa da quadrilha junina, tentou tirar a própria vida, enquanto que um senhor, ainda orientado (lúcido), estava lutando com a própria vida, pois 103 não era suficiente, já que ele desejava sim viver mais. Numa das visitas diárias que fiz à menina, perguntei-lhe, após ter adquirido seu confiança: "Se eu colocar o número 0 (Zero) no meio da sua idade, ou seja, entre o 1 e o 3, que número fica?". Após alguns demorados segundos, ela respondeu, com entusiasmo e cautela: "103!". Em seguida respondi: "Muito bem, é exatamente isso! E se eu lhe falar que eu estou com um paciente de 103 anos internado como você?!". Ela fez cara de espanto, expressiva e repetiu: "103?!". Concordei com a cabeça e pedi licença para retirar-me, deixando obviamente essa reflexão para ela fosforilar até o próximo dia. A partir de então ela começou a perguntar pelo idoso, diariamente: "Cadê o homem de 103 anos? Como ele está?". E eu respondia: "Hoje ele está melhor! Perguntou pela esposa, pelos filhos e disse que queria comer caldo de feijão, mas infelizmente teve que beber leite mesmo, era o que o cardápio do hospital disponibilizava". A garota, já melhor após ter quase morrido de insuficiência respiratória, ouvia-me atentamente, pois para ela e para mim também, viver 103 anos é algo incrível. Fiz uma nova pergunta para ela, essa mais difícil: "Se ele tem 103 anos, em que ano ele nasceu? Vou querer a resposta amanhã!". Após examiná-la e constatá-la que estava tudo bem com ela, retirei-me e continuei minhas andanças pela enfermaria.
No outro dia, uma novidade: a garota que ingeriu medicamentos em grande quantidade iria receber alta hospitalar, pois seu organismo de apenas 13 anos trabalhou de forma tão preciosa que a devolveu a saúde plena. Seus exames estavam completamente normais. Enquanto isso, os exames do idoso apresentavam, além da infecção de difícil controle (Pneumonia e enfisema pulmonar descompensado), as doenças insuficiências renal e cardíaca. Mesmo assim, o quadro clínico dele era estável. Retornando ao leito da garota - que não teve o bom senso de imaginar que o custo de seu internamento (pelo SUS) superou exponencialmente o valor de um simples vestido de festa junina - entrei em seu quarto e fui supreendido antes mesmo de dar bom dia: "1906! 1906!". Naquele instante, eu mesmo fiquei confuso, sem entender aquela expressão sem nexo, mas logo abri um sorriso e a parabenizei pela resposta correta! Depois soube que na verdade, ela não é só inteligente, mas bem experta também, pois quem fez o difícil cálculo de dimunir 103 de 2009 foi sua mãe. Após esse momento de descontração, adiantei a boa notícia: sua alta hospitalar. Ela ficou feliz, abriu um sorriso e assim fui preencher a papelada de sua alta, recomendando e solicitando dentre outras coisas acompanhamento psicológico. Enquanto isso, o idoso de 103 anos inicia uma piora súbita com quadro de hipoxemia (diminuição do oxigênio no sangue), mesmo com máscara de oxigênio de alto fluxo, e arritmia cardíaca. Ele já não estava mais orientado e não apresentava reação quando estimulado verbalmente. Não havia mais o que fazer por ele, apenas torcer para seu organismo frágil e calejado desse uma utópica volta por cima. Eu estava apreensivo, fiquei pensando cautelosamente em alguma saída, mas realmente restava apenas a angústia. Quando fui explicar para a mãe da garota sobre as recomendações pós-internação, a mãe disse: "Ela acabou de me dizer que se eu não lhe desse um vestido de São João tomaria o remédio de novo!". Permaneci atônito, sem expressar alguma alteração facial de frustração, e repeti algumas vezes a necessidade do acompanhamento psicológico. E fiz um paralelo entre essas duas pessoas tão distintas e por apenas um Zero, fizeram escrever esse texto.
Pensei:
A garota tem 13 anos. O idoso tem 103.
A garota nasceu em uma cidade. O idoso nasceu e ainda vivia no meio rural quando internou-se. A garota queria ir para uma quadrilha, mas precisava de dinheiro para o vestido, por isso tentou suicídio e assim fez o Governo (SUS) pagar uma nota preta por sua internação.
O idoso foi para dezenas de festas juninas e para ele uma festa a mais ou a menos não faria diferença alguma, além do que nunca havia sido internado (em 13 anos a garota deu um prejuízo ao SUS maior que os 103 anos de vida do idoso).
A garota tomou tranquilizantes e quase morreu, mas sobreviveu e recebeu alta. O idoso fumou muito durante sua vida, o que lhe conferiu enfisema pulmonar e facilitou seu problema de insuficiência respiratória, todavia ultrapassou bem os 100 anos.
E para finalizar: a garota vai para casa, porém antes mesmo disso acontecer, ela ameaçou a mãe de nova tentativa de suicídio. O idoso desejava veementemente apenas voltar ao seu lar, mas isso não foi possível, pois no mesmo dia que a garota foi para casa desinteressadamente, sem atentar para a nova oportunidade de vida que lhe foi dada, o idoso faleceu com parada-respiratória...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
"?"
E o amor? Não me atrevo a redigir sobre o amor, pois nada dele sei, porém ele sabe muito sobre mim. Seria a fórmula da felicidade: agir a partir do amor e nada mais?
Por que duas pessoas que nunca se viram na vida podem se odiar ou se amar, sem existir qualquer probabilidade para determinar e prevenir esses determinados contatos interpessoais? O coração é uma bomba do corpo, mas por que sentimos ele bater mais rápido quando sentimos um sentimento por alguém? Certo, o Sistema Nervoso e Sistema Endócrino (e seus hormônios) dão um jeito de acelerar o coração. E antes? Qual foi o gatilho e por que?
Continuar digitando sobre esse assunto vai fazer eu afundar a tecla da interrogação "?", pois somente de questionamentos está sendo permeado esse texto. Então por que estou escrevendo sobre algo que eu não compreendo? O porquê continuo sem saber e até prefiro assim. Mas o combustível é certo: SAUDADE!
Perdoe-me a falta de clareza, leitor, escrevi egoisticamente para mim. Texto sem respostas, apenas letras e mais letras.
"O Rio de Janeiro continua lindo... o Rio de Janeiro continua sendo..."
Não visitei o Rio e nunca foi uma prioridade, mas nas águas celestiais de Jericoacoara, eis que surge uma filha do rio, talvez sereia ou simplesmente carioca, pois a toquei, belisquei-me, além do óbvio: sereia não existe. Era uma carioca de verdade, porém bela e fantástica, como a letra eterna "olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, É ela menina que vem e que passa, Num doce balanço a caminho do mar..."
É... chega... Melodrama demais vira superdosagem...
quinta-feira, 26 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009
Domingo como um domingo...

sábado, 21 de março de 2009
Jessier Quirino, um gênio.

Ontem (dia 21/03) fui com amigos assistir o show do poeta/repentista/humorista/músico/escritor Jessier Quirino, um artista de Campina Grande que usa o amor pelo Nordeste como inspiração para seu trabalho inacreditável. Além de sua memória imensurável, o poeta proclama descrição de ambientes tipicamente sertanejos, como uma venda da esquina, por exemplo. Abaixo uma descrição que retirei de seu próprio site. É possível ter uma noção boa da grandiosidade desse elemento do Nordeste (CDs, DVDs, livros...). Hoje ele faz show em Sobral, a Princesinha do Norte. "Isso é 'cagado e cuspido' Paisagem do Interior..." (letra completa: http://vagalume.uol.com.br/jessier-quirino/paisagem-de-interior.html)
RECITAL (retirado integralmente do site http://www.jessierquirino.com.br/)
"Defendendo sua poesia a golpes de declamações por todo o Brasil em tons solenes e brincativos, Jessier apresenta um dos espetáculos mais autênticos da atualidade, num verdadeiro mergulho no universo da poesia.
RECITAL COM FUNDO MUSICAL: o poeta apresenta-se declamando poemas autorais e contando causos de nordestinidade apurada, numa performance que varia de 45 minutos à uma hora e vinte (de acordo com a programação do evento), fazendo-se acompanhar dos músicos: Vitor Quirino (violão clássico), André Correia (violino) e Matheus Quirino (percussão), que dão um tom solene ao espetáculo. Letinho (violão) e China (percussão) participam dos espetáculos mais elaborados.
RECITAL EM FORMATO SOLO: o poeta apresenta-se sozinho, feito boi de arado, recitando poemas autorais e causos de nordestinidade apurada, numa performance de 45 minutos à uma hora de acordo a programação do evento."
Os Links a seguir trazem a entrevista completa (em 3 partes) de Jessier Quirino no Jô Soares dia 02/07/2009:
Ontem, apesar das tentações do sábado à noite, vou para o Sítio do Pacheco dormir com meus pais por opção. Conhecer a Pick-up D-10 1975 que meu pai turbinou, além de estudar naquele ambiente silencioso e bucólico...