terça-feira, 7 de agosto de 2012

Série: "Senta que lá vem o médico!" (1)


Estava eu mais uma vez entrando no consultório, situado em um bairro carente de recursos e infraestrutura. Em resumo: uma comunidade pobre, mas deixando claro que trata-se de um termo relacionado à bens materiais. Então entrou a paciente, a qual já a conhecia, pedindo para prescrever vacina de eucalipto, pois estava gripada e precisava ficar boa, e só conhecia a vacina de eucalipto que resolvia sua gripe. 

No momento pensei e disse a ela olhando nos olhos: "Nunca ouvi falar em vacina de eucalipto!", disse orgulhoso por não conhecer tal "injeção"!

Ela retrucou dizendo que existia nas farmácias, mas só aplicavam com receita médica. 

Fiquei curioso, pois a paciente disse inclusive que já tinha feito uso da vacina anteriormente.
Então peguei o celular com internet, entrei no "Dr Google" e digitei "vacina eucalipto", entrei no primeiro link que a página me sugeriu e encontrei o seguinte trecho, escrito por algum "dotô" Fulano de Tal: “Muitas farmácias prescrevem com freqüência injeções a base de óleo de eucalipto, o que pode provocar reações alérgicas e até mesmo matar”

Era o que precisava para ter agora a certeza, agora com argumentos virtuais, que a vacina de eucalipto era mais uma invenção bizarra das indústrias farmacêuticas e seu uso indiscriminado de fármacos.

Então disse para a mulher: "Dona Fulana, a gripe não tem medicação própria. Logo, seria muito melhor a senhora repousar, beber bastante líquido, e quando ficar boa da gripe, aconselho a ir no posto mais próximo e tomar a vacina contra a gripe que o governo oferece."

Ela me olhou com face de frustração e espanto, dizendo que a vacina do governo causa gripe e a intenção é matar os "velhos" (termo usado pela paciente) mais cedo! E pediu mais uma vez a vacina de eucalipto, agora com insistência.

Neguei, expliquei mais uma vez que com vacina ou sem vacina ela iria ficar melhor do mesmo jeito, portanto era de repouso que precisava. Obviamente já estava tom de voz mais ríspido e menos simpático. 

Vi pela posição estática que ela precisava ouvir de novo o que tinha acabado de falar, senão daria brecha para uma nova investida. Então repeti a informação, e já estava querendo terminar a consulta, pelo menos acho que ainda era uma consulta. Então ela saiu do consultório reclamando, dizendo que ia na farmácia de qualquer jeito arranjar a vacina. 

Eu, pensei depois da cena, poderia ter passado a vacina, porém alguma coisa poderia acontecer, desde uma reação alérgica ou até mesmo um problema de saúde risco maior de letalidade. Ou seja, estou tranquilo, e definitivamente o eucalipto é formalmente e cientificamente usado para inalação ou chá, principalmente quando o paciente apresente sintomas respiratórios como sinusite, rinite, gripe, etc. Mas a forma injetável não tem comprovação científica, conforme voltei a pesquisar com maios afinco posteriormente.

Enfim, de graça até vacina na testa, mas preferencialmente que não seja de eucalipto. 

Moral da história (1) : consulte o Dr Google e descubra o que uma vacina de eucalipto pode fazer, pois além do risco de causar prejuízos à saúde, ainda pode tirar a paciência do médico.

Moral da história (2) : e se um dia algum médico prescrever vacina de eucalipto para você, diga para ele: "Não preciso dessa vacina, foi o Dr Google que avisou!"  


Duas pessoas somam, subtraem ou se misturam? Na verdade iniciar um texto com uma pergunta entrega o autor como um amador com veia literária enferrujada o suficiente para não conseguir iniciar de forma melhor seu texto... (as reticências é uma ótima evasão, pois esses "três pontos" encerra o assunto por bem ou por mal)

Acredito que a vida seja repleta de quebra-cabeças onde utopicamente tudo se encaixa, porém na verdade muitas dessas peças se perdem ou simplesmente nunca aparecem, enfim, numa caixa de quebra-cabeças não tem peça reserva, ou seja, uma ou mais peças ausentes são lacunas que não serão preenchidas definitivamente. Mas seria como a força das consoantes, já que todos sabem que palavra significa a expressão por exemplo "comptdr", enfim só usei uma vogal e todas as consoantes que qualquer criança saberia adivinhar o enigma super fácil. Assim seria o quebra-cabeça incompleta, pois mesmo na ausência de peças, a paisagem não seria comprometida e todos saberiam olhar, identificar e apreciar a gravura. 

Porém, o que pode parecer desleixo perder peças do quebra-cabeça, na vida isso é natural e importante que ocorra, pois na verdade não podemos ser os detentores de todas as peças, então outras pessoas poderiam ficar com peças que seriam justamente as lacunas.  

O quebra-cabeça pode ser o passado, o presente ou o futuro, quem manda é a imaginação de cada ser.

Nesse texto atemporal, acronológico e abstrato, faço Ctrl C + Ctrl V da seguinte letra chamada "Quebra-Cabeça"!



Quebra-Cabeça
(Engenheiros do Hawaii)

Pode ser pra sempre
Pode não ser mais
Pode ter certeza e voltar atrás
Pode ser perfeito
Fruto da imaginação
Pode ter defeito de fabricação

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer

Pode estar no ponto
Ponto de interrogação
Pode ser encontro ou separação
Pode correr risco
Arriscado sempre é
Só não pode o medo te paralisar

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu tenho

Tudo que eu posso oferecer


 (Clipe da música acima) http://www.youtube.com/watch?v=sWI5G7iWkg4&feature=player_embedded

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Canindé 2011

ENTREVISTA: DAVID PINHEIRO

http://g1.globo.com/videos/ceara/v/caninde-reune-fieis-de-sao-francisco/1648803/#/CETV



ENTREVISTA: DANILO PINHEIRO




"Um santo que anteviu e propagou os valores ligados aos vínculos comunitários. Direitos Humanos, ecologia, distribuição de renda, reforma agrária, anticonsumismo, democracia, humildade, democratização do saber... Parece exagero, mas sempre independente de ortodoxias religiosas, São Francisco de Assis foi um rebelde/revolucionário à sua maneira, e estamos no 2º maior berço de admiração/veneração ao santo do mundo, ou seja, o Ceará! ;) Apesar das brincadeiras ao longo da pedalada, os quatro integrantes (David Pinheiro, Leandro Carvalho, Sylene Ruiz e Danilo Pinheiro), de uma forma ou de outra, identificam-se e exercitam cotidianamente muitos desses ensinamentos! Aliás, muitos de nós, revelando-se aí uma leitura atualíssima sobre o franciscanismo!" (Danilo Pinheiro)




terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saber quando parar: eis o que o diferencia de um ser anencéfalo!

Seria engraçado, porém não é... Brincar com sentimentos alheios é algo próximo de uma patologia ainda não catalogada, mas já é possível saber que trata-se de um desvio de personalidade. Ninguém com mente sã engana alguém por prazer, isso é algo bem próximo de deliciar-se por provocar o sofrimento de outra pessoa que certamente não merece tal humilhação. Se você encaixa-se nesse perfil, favor procure ajuda psicoterapeuta, antes que um prejuízo irreversível possa acontecer e mudar o rumo de sua vida enquanto ela durar... e se durar!

Para ser sincero, não fui vítima se uma pessoa com essa índole, apenas já sofri muito por ter acidentalmente alimentado expectativa falsa em outra pessoa, isso ocorreu por dois motivos: omissão exagerada e, consequentemente, ausência de transparência! Ou seja, melhor arriscar abrindo o peito e tomar uma decisão a curto prazo, porém sincera e leal! E por pura experiência já vivida, posso garantir que o diálogo com foco, respeito e amor ao próximo resolve a quase totalidade dos conflitos estabelecidos!

"Não viro vampiro, eu prefiro sangrar / Me obrigue a morrer, mas não me peça pra matar" (Engenheiros do Hawaii)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A vida é uma viagem, passagem só de ida...

Está de bem com a vida? Aproveite!
Está de mal com a vida? Relaxe!
Está puto com a vida? Tome uma boa bebida!
Está indiferente com a vida? Saia de casa!
Está sem entender a vida? Leia um bom livro!
Está com tédio da vida? Vá para a praia!
Está com medo da vida? Abrace alguém!
Está desiludido com a vida? Ligue para um amigo!
Está sonhando com a vida? Acorde e viva!
Está arrependido da vida? Chore!
Está infeliz com a vida? Assista um bom filme!
Está cantando nessa vida? Cante mais alto!
Está cansado da vida? Deite, durma e/ou medite!
Está correndo nessa vida? Pare e respire!
Está maltratando a vida? Pare de fumar!
Está satisfeito com a vida? Parabéns!

Está chorando? É a vida!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Discussão num bar

               Uma rua da periferia. Um garoto, onze anos, pedinte, sem rumo certo, apenas caminhava. Era dia, e a sensação térmica era de muito calor. O garoto, sujo e de aparência caquética, não aparentava se incomodar com o suor. Ele avistou um bar, onde havia dois homens sentados numa mesa e tomando uma cerveja aparentemente bem gelada. Ambos conversavam exaltadamente. Nesse bar, as mesas ficavam na calçada. O menino se dirigiu ao bar, parou diante dos dois homens e observou-os com seus olhos tristes e amarelos:
- Não adianta fazer doações para a África! Se adiantasse, a África não seria ainda hoje o continente mais pobre! Para que doação, se ninguém garante o acesso da população a essa ajuda?
- A questão é que as doações têm que oferecer oportunidade de renda aos africanos! Investir na agricultura familiar, por exemplo, seria um destino promissor para essas ajudas!
- E como fazer isso se o governo for corrupto? Os países africanos estão entre os países com maior índice de corrupção do mundo! Quem vai distribuir e fiscalizar esse dinheiro, se o próprio governo abandonou o seu povo? Já me disseram que esses governos, com uma parte das doações, distribuem cestas básicas de forma assistencialista e aproveitam a situação para comprar votos durante as eleições! O povo, manipulado, vota neles e ainda se acomoda esperando mais cestas básicas. A doação torna-se moeda eleitoral! 
- Não é necessário governo para isso! Concordo que seria o ideal, mas é possível não depender do governo. Uma prova disso são as ONGs! E doações não necessariamente precisam ser alimentos! Existem auxílios empreendedores que hoje mudam significativamente a vida dos africanos. A doação, nesses casos, torna-se uma esperança para a vida daquelas pessoas que nunca tiveram oportunidade!
O menino, assustado e confuso, atento às palavras dos homens entusiasmados com a discussão, finalmente ia pedir uma ajuda em dinheiro, quando foi repreendido pela continuação da conversa:
- Doação é esmola! Um rico dá dinheiro a um pobre para alimentar o próprio ego e aliviar a consciência! Esmola não enriquece ninguém e só ajuda o pobre a aceitar sua condição inferior perante a sociedade! Desse mesmo modo funciona entre os países! São justamente países ricos como EUA, Japão, Reino Unido, França e Alemanha os que mais ajudam financeiramente a África. O pobre que depende de esmola nunca deixará de ser pobre!
O garoto, ao ouvir aquilo, botou rapidamente a mão no bolso, retirou suas moedas e as colocou na mesa. Até esse momento, os homens, ludibriados com a conversa, não tinham notado a presença da criança. Eles se calaram surpreendidos, e um deles, após um instante de silêncio, perguntou-lhe:
- Por que esse dinheiro na nossa mesa, garoto?
O menino respondeu, com esperança:
               - Não quero mais ser pobre! Estão aqui todas as minhas esmolas! Se é isso que me deixa com fome todo dia, então não quero esse dinheiro!
               Os dois homens, ambos jovens universitários, baixaram suas cabeças e miraram o chão culpados e envergonhados. O menino, radiante com a notícia, correu provavelmente ao encontro da mãe para lhe contar que não eram mais pobres.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quando não basta...

Doar: não basta...
Implodir obstáculos: não basta...
Gostar sem limites: não basta...
Almejar a felicidade juntos: não basta...

Nunca deixar a paixão acabar: não basta...
Aceitar e ceder: não basta...
O jantar perfeito: não basta...

Alimentar sonhos: não basta...
Orar por ambos: não basta...

Amor: não basta...
Beijo demorado: não basta...
Abraço apertado: não basta...
No dia dos namorados entregar flores: não basta...
Decidir casar e ter filhos: não basta...
O e-mail apaixonado: não basta...
Necessitar de carinho: não basta...
Olhar com brilho e ternura: não basta...


O que fazer? Simplesmente veja e sinta a poesia em outra perspectiva.